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A tecnologia ajuda ou atrapalha na educação das crianças?

Por Beautyslime

Essa não é uma questão que tenha resposta simples ou conclusiva em um único texto. Ela nos renderá ainda muitas reflexões.

Afinal, a tecnologia aproxima ou isola as pessoas? Aprofunda o conhecimento e a possibilidade de atenção ou ajuda a criar seres mais dispersos e que não conseguem se ater ao mesmo foco por mais que alguns segundos? A espera pelos “likes” deixa mesmo as pessoas mais ansiosas? O volume de ”hates” recebidos em um post pode deprimir?

Há que se olhar para esse assunto com atenção e rigor, mas também estar aberto a tentar entender para onde se move esse admirável mundo novo no qual estamos vivendo desde que os computadores e a evolução das comunicações ganharam o protagonismo que estão tendo.

Nunca tivemos tanto acesso a informação ou pudemos, em tempo praticamente real, matar a saudade de quem está longe, tirar as dúvidas sobre algum assunto ou buscar por conhecimento focado e seguro com tanta agilidade e eficiência. Por outro lado, nunca estivemos tão expostos em relação aos conteúdos de nossas vidas e com a possibilidade de termos nossos dados conhecidos e controlados.

A mesma tecnologia que aumentou a nossa segurança multiplicou em progressão geométrica a nossa vulnerabilidade e exposição.

Você já parou para pensar que, ao postarmos nas redes sociais, por exemplo, as fotos e vídeos da festa de aniversário da maior preciosidade de nossas vidas, os filhos, além do registro afetivo e de fazer chegar para quem está longe os detalhes desse momento tão importante, estaremos expondo também, para os milhões de pessoas que têm acesso (e que vasculham!) à internet, quem somos, como vivemos, com quem convivemos, que tipo de festa nosso orçamento nos permite oferecer e para qual número de pessoas?

Pois bem, e o que isso tem a ver com educar em tempos de tecnologia? Tudo!

Essas questões (exposição, conteúdos controlados e o uso que se pode fazer deles) são a base da reflexão sobre como educar no mundo tecnológico.

Não dá para ignorar que o acesso à tecnologia de alta qualidade e velocidade veio para ficar e é extremamente atraente para todos, não só para as crianças. Ela pode, deve e está sendo usada como um eficaz instrumento de alfabetização, aprendizado, diversão e multiplicação de conhecimento. Mas também como um perigoso mecanismo de acesso a dados que nem sempre sabemos que estamos fornecendo.

Seria utópico sugerir que é preciso tirar das crianças o acesso aos gadgets; seria arrumar um inimigo! Mas é urgente e importante dizer que esse acesso deve ser conhecido e controlado de alguma forma pelos responsáveis, assim como o tempo de exposição e interação com as diversões eletrônicas devem ser negociados para que haja tempo e espaço para brincadeiras ao ar livre, leitura e… conversa ao vivo!

Sugerimos que essa, digamos, supervisão ao acesso e interação com a tecnologia deva ser feita de maneira transparente, orgânica e deixando claro que não se trata de uma punição, mas sim da tentativa de equilíbrio entre a interação com a tecnologia e os outras formas sensoriais, afetivas e intelectuais de se divertir.
Isso certamente ajudará a criar adultos e cidadãos mais afetivos, conscientes e que saberão buscar e tirar o melhor proveito de conteúdo e das outras possibilidades de interação que a tecnologia pode proporcionar.

Ainda é cedo para saber ao certo o quanto de positivo e negativo há na nossa relação com as máquinas. Por isso, é importante estar atento a esses detalhes.

O bom senso, a conversa, o entendimento, a disciplina, alguns limites, a busca por soluções orgânicas e a manifestação do amor são os melhores “aplicativos” para se usar na hora de educar.